
O Velho da Bugiada
O Velho da Bugiada é a figura central e mais carismática de toda a festa. Representa um ancião, líder dos Bugios, que comanda o grupo com autoridade e humor. Usa máscara de madeira com feições envelhecidas, barba comprida e chapéu de abas.
É responsável por conduzir os Bugios nas danças, nos cortejos e nos diversos rituais ao longo do dia. A sua presença é constante e indispensável, sendo ele quem dá as ordens e marca o ritmo da Bugiada.

Os Bugios
Os Bugios são o grupo mais numeroso e visualmente marcante da festa. Representam os cristãos do vale do Rio Ferreira e vestem trajes coloridos e exuberantes, com chapéus cónicos decorados com fitas multicolores.
Cada Bugio carrega um buxo (ramo de buxo) e uma bexiga de porco cheia de ar, que usam para bater nos espectadores de forma jocosa. As suas danças são enérgicas e ruidosas, criando um ambiente festivo contagiante.
Durante o dia, os Bugios participam em diversos rituais, incluindo a Prisão do Velho, a Serpe e as danças na praça. São figuras de grande importância simbólica na representação do conflito entre mouros e cristãos.

As Crianças-Bugio
As Crianças-Bugio são os mais jovens participantes da Bugiada, representando a continuidade da tradição. Vestem trajes semelhantes aos dos Bugios adultos, mas em tamanho reduzido, e participam ativamente nos rituais.
A sua presença simboliza a transmissão intergeracional desta tradição secular, garantindo que os saberes e práticas se mantêm vivos. São acompanhadas pelos Bugios mais velhos ao longo de todo o dia festivo.

Os Músicos da Bugiada
Os Músicos da Bugiada acompanham o grupo com violas, violinos e outros instrumentos tradicionais. São responsáveis pela banda sonora que marca o ritmo das danças e dos cortejos ao longo de todo o dia.
A música da Bugiada é transmitida oralmente de geração em geração, com melodias próprias para cada momento ritual. Os músicos ocupam um lugar de destaque na formação do grupo.

A Serpe
A Serpe é uma figura mítica — uma serpente gigante transportada pelos Bugios pelas ruas de Sobrado. Representa o dragão ou serpente da lenda, símbolo do mal que é derrotado pela fé cristã.
Construída em estrutura de madeira e tecido, a Serpe é um dos elementos mais espetaculares da festa, provocando admiração e entusiasmo entre os espectadores. O seu percurso pelas ruas é um dos momentos mais aguardados.

O Reimoeiro
O Reimoeiro é o líder dos Mourisqueiros, equivalente ao Velho da Bugiada no lado mouro. Comanda a formação e as danças dos Mourisqueiros com precisão e autoridade.
Distingue-se pelo seu traje elaborado e pela posição de destaque que ocupa à frente da formação. É ele quem marca os passos e as coreografias das danças rituais dos Mourisqueiros.

Os Mourisqueiros
Os Mourisqueiros representam os mouros (muçulmanos) na encenação do conflito. Vestem trajes elegantes e uniformizados, com capas e chapéus decorados, contrastando com a exuberância colorida dos Bugios.
As suas danças são marcadas pela precisão coreográfica e pela disciplina de formação. Executam coreografias complexas com espadas e bastões, simbolizando a preparação para o combate.
A Mouriscada tem uma estrutura mais formal que a Bugiada, refletindo a ordem e hierarquia associadas ao lado mouro da narrativa. Os Mourisqueiros são uma presença imponente e solene nas ruas de Sobrado.

A Caixa dos Mourisqueiros
A Caixa (tambor) dos Mourisqueiros é o instrumento que marca o ritmo das danças e marchas do grupo mouro. O seu som cadenciado é essencial para a coordenação dos movimentos.
O tocador da caixa acompanha os Mourisqueiros em todos os momentos, sendo uma peça fundamental na estrutura musical e coreográfica da Mouriscada.

Os Doutores da Lei
Os Doutores da Lei são figuras centrais no Conflito, representando os juízes ou sábios que arbitram a disputa entre mouros e cristãos. Usam máscaras expressivas e trajes formais, empunhando livros e documentos.
A sua intervenção é decisiva no desfecho da narrativa, proclamando a vitória da fé cristã. Os seus diálogos, recitados de memória, constituem uma das partes mais antigas e preservadas da tradição oral.

O Narrador
O Narrador é a voz que conduz a história do Conflito, contextualizando os acontecimentos para o público. Recita textos tradicionais que narram a lenda e o confronto entre as duas forças.
A sua figura é fundamental para a compreensão da narrativa dramática, servindo de elo entre os espectadores e a ação ritual que se desenrola na praça.

O Mensageiro
O Mensageiro é a figura que faz a ligação entre os dois campos — mouros e cristãos. Circula a cavalo entre os grupos, transmitindo propostas, desafios e ultimatos.
A sua presença a cavalo confere grande dramatismo ao Conflito, representando a diplomacia e a comunicação entre as partes antes do confronto decisivo.

O Cego
O Cego é uma das figuras mais cómicas da Sapateirada. Representa um homem cego que vagueia pela praça enlameada, tropeçando e caindo, provocando risos no público.
A sua interação com o Moço do Cego cria momentos de grande humor e improviso. Juntos, protagonizam cenas burlescas que aliviam a tensão dos rituais mais solenes.

O Moço do Cego
O Moço do Cego é o guia e acompanhante do Cego, mas em vez de o ajudar, engana-o e prega-lhe partidas. Com máscara de expressão matrona e chapéu, é uma figura de grande comicidade.
As suas travessuras com o Cego constituem um dos núcleos cómicos mais apreciados pelo público, numa tradição de humor popular com raízes muito antigas.

O Sapateiro
O Sapateiro é a figura que dá nome à Sapateirada. Representa um artesão que tenta trabalhar no meio do caos da praça enlameada, arranjando sapatos junto à água.
A sua presença evoca os ofícios tradicionais e a vida quotidiana da comunidade, contrastando com a solenidade dos rituais religiosos.

O Moço do Sapateiro
O Moço do Sapateiro é o aprendiz que auxilia o Sapateiro no seu ofício durante a Sapateirada. Participa nas cenas cómicas que se desenrolam na praça.
A relação mestre-aprendiz entre o Sapateiro e o seu Moço reflete a estrutura social tradicional e acrescenta uma camada de humor às representações.

A Mulher
A Mulher é uma figura feminina interpretada por um homem, seguindo a tradição do teatro popular. Com máscara feminina, peruca e vestido, interage com as outras figuras da Sapateirada.
A sua presença acrescenta dinamismo cómico às cenas, protagonizando interações burlescas com o Cego e outras figuras na praça enlameada.

O Cobrador
O Cobrador é uma figura montada a cavalo que percorre a praça durante a Lavra, cobrando simbolicamente as rendas e tributos aos lavradores.
A sua presença a cavalo confere autoridade à cena, representando o poder senhorial sobre a terra e os trabalhadores agrícolas.

O Semeador
O Semeador é a figura que lança as sementes na terra lavrada durante a representação da Lavra da Praça. Com um saco de serapilheira, espalha simbolicamente a semente pela praça enlameada.

O Homem da Grade
O Homem da Grade (Gradador) puxa a grade pela praça enlameada, alisando a terra após a lavradura. É uma representação fiel do trabalho agrícola tradicional.
A sua tarefa completa o ciclo da Lavra da Praça: depois do arado abrir a terra e do semeador lançar a semente, a grade alisa e cobre o solo.

O Lavrador
O Lavrador conduz o arado pela praça, abrindo sulcos na terra enlameada. Representa o trabalhador da terra e o início do ciclo agrícola na Lavra da Praça.

A Banda Musical
A Banda Musical de São Martinho de Campo acompanha as festividades, fornecendo a banda sonora para os cortejos e momentos solenes ao longo do dia de São João.
Com o seu estandarte vermelho à frente, a banda desfila pelas ruas de Sobrado, intercalando música festiva com marchas processuais que marcam os diferentes momentos da celebração.

As Entrajadas
As Entrajadas (ou Estardalhadas) são figuras femininas mascaradas que tocam violinos e outros instrumentos de forma burlesca, parodiando uma orquestra.
Com perucas loiras, máscaras e trajes extravagantes, as Entrajadas acrescentam um elemento de humor e irreverência musical às festividades, sendo uma das figuras mais fotografadas pelos visitantes.